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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nanotecnologia brasileira melhora medicamento contra tuberculose



Nanotecnologia brasileira melhora medicamento contra tuberculose
Pesquisadores brasileiros usaram
sistemas microfluídicos
para produção de medicamento na forma
de micro e nanopartículas.[Imagem: IPT]

A rifampicina é um dos agentes antituberculosos ativos mais conhecidos, mas a sua baixa solubilidade faz com que o medicamento seja administrado em altas concentrações e possa provocar efeitos colaterais sérios.
A solução pode estar na produção da rifampicina por meio das modernas técnicas da nanotecnologia, segundo pesquisadores da Escola Politécnica da USP e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo).
Usando uma técnica chamada nanoprecipitação e um aparelho microfluídico, Juliana de Novais Schianti e Antônio Carlos Seabra conseguiram reduzir o tamanho das partículas do medicamento e melhorar sua taxa de dissolução.
Os resultados promissores acabam de ser publicados pelo periódico científicoJournal of Nanomedicine and Nanotechnology.
Foram produzidas partículas de maneira controlada com tamanhos entre 100 nanômetros e 1,2 micrômetro.
Essas nanopartículas apresentaram um perfil amorfo e uma maior taxa de dissolução em comparação com a rifampicina comercial crua.
"Os resultados foram promissores e permitiram compreender melhor o processo de automontagem da rifampicina em dispositivos microfluídicos", afirmou Juliana.
O processo foi patenteado e agora as duas instituições planejam realizar contatos com fabricantes de medicamentos interessados na tecnologia.
Quando for fabricada com nanotecnologia, a rifampicina, usada sobretudo contra a tuberculose, poderá ser aplicada em doses menores, preservando os efeitos e evitando os efeitos colaterais.

Nanotecnologia terá mais investimento e novo curso de pós-graduação





MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

A nanotecnologia no Brasil contará com mais investimentos e um curso de excelência na área da engenharia em 2014. A expectativa é a de que os recursos a serem disponibilizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para o setor dobrem, passando de R$ 150 milhões, neste ano, para R$ 300 milhões no ano que vem.


Outra novidade para área é o Programa de engenharia de nanotecnologia (Pent) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), que atuará com mestrado e doutorado em seis linhas de pesquisa a partir do mês de março.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (27) pelo secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Alvaro Prata, durante o 1º Workshop sobre Engenharia da Nanotecnologia, realizado na universidade fluminense.

O evento integra a comemoração dos 50 anos da instituição e, além de Prata, teve a participação do coordenador geral de Micro e Nanotecnologias do MCTI, Flávio Plentz, alunos e representantes da universidade.

Economia
Prata traçou um cenário sobre a economia do país e mundial e apontou desafios e perspectivas para a ciência brasileira, em especial, a partir dos esforços do governo federal, que colocou a ciência, a tecnologia e a inovação (CT&I) entre as diretrizes nacionais.

O secretário apresentou estudos que apontam a nanotecnologia, junto com a biotecnologia e as tecnologias ambientais, como responsáveis pela sexta revolução tecnológica, depois da máquina a vapor (1780 a 1830); das estradas de ferro e o aço (1830 a 1880); da eletrificação de produtos químicos (1880 a 1930), do automóvel e da petroquímica (1930 a 1970); e das tecnologias da informação e comunicação (1970 a 2010).

Segundo ele, o setor de nano tem crescido a 25% por ano, em termos de valor de mercado. Incorporadas a produtos, as nanotecnologias chegaram a movimentar US$ 250 bilhões de dólares em 2010, montante que deve chegar a US$ 3 trilhões em 2020.

Iniciativa brasileira
Na intenção de acompanhar o novo cenário global, explicou Prata, o governo tem lançado uma série ações, como a Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia (IBN), criada para integrar e fortalecer as ações governamentais para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico e a promoção da inovação industrial.

Também este ano, o MCTI lançou o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNano), além de um Comitê Interministerial de Nanotecnologia (CIN) , composto por 10 ministérios e diversas entidades envolvidas com o setor.

Programa Coppe
As comemorações pelos 50 anos da Coppe têm como um de seus marcos o lançamento do programa de engenharia de nanotecnologia, aprovado com conceito 5 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC).

“Um programa que surge com essa nota na Capes mostra a qualidade do corpo docente, da proposta e da qualidade da infraestrutura, porque nós sabemos que a coordenação é uma instituição muito rigorosa”, comentou Prata.  “No momento em que o governo fortalece nanotecnologia no país, ter um curso de engenharia de nanotecnologia é motivo de muita satisfação”.

Para o secretário, a Coppe tem motivos para comemorar. “É uma instituição de referência e importante para a engenharia brasileira, sobretudo para a pós-graduação”, afirmou, ao lembrar a inserção do laboratório de engenharia de superfícies de materiais nanoestruturados no Sisnano, que é composto por 26 laboratórios.

“O que precisamos fazer, cada vez mais, é fortalecer as nossas instituições e dar condições para que elas possam trabalhar em benefício do Brasil que queremos construir”, disse. “O MCTI tem criado uma série de instrumentos, política e programas e os resultados começarão a surgir”.

O coordenador do Pent, Sérgio Camargo Júnior, traçou um histórico sobre as ações promovidas pelo centro, que iniciou a sua atuação de “forma modesta e pontual” nos anos 1980, no campo de superfícies e catálise. A disseminação desse processo, contou ele, começou a partir de 2000, com os primeiros projetos, com a participação no Proinfra e com a escola de Nanotecnologia e Nanociências (N&N) da UFRJ.


Atualmente, são 12 laboratórios, com 20 docentes, 50 pesquisadores e técnicos e R$ 35 milhões em equipamentos. “Criar um programa é um desafio e isso só é possível porque estamos em uma instituição sólida e envolvida com a missão de inovar”, afirmou o professor. “Esperamos que ele possa contribuir para a formação de pessoas, para a geração de tecnologias e para o progresso do país”.

Texto: Denise Coelho – Ascom do MCTI 



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Era dos Pequenos, Micro e Nano Satélites (2)






José Monserrat Filho *

Menores, mais rápidos, melhores e mais baratos (M-MR-M-MB). Assim são vistos hoje os pequenos satélites, sejam quais forem seus nomes – microsatcubesatcansatnanosatpicosat etc. 

Suas vantagens não deixam qualquer dúvida. Eles podem ser desenvolvidos com infraestrutura simples e de baixo custo. Você gasta bem pouco para montar seu próprio pequeno satélite. Esse benefício não tem preço. As forças armadas de inúmeros países já sabem disso faz tempo. Os países em desenvolvimento também. Muitas universidades do mundo inteiro, idem. Pequenas e médias empresas, idem, idem. Jovens estudantes, inclusive de graduação e em especial os de engenharia, talvez tenham sido os primeiros a projetarem e lançarem pequenos satélites, não importando as dificuldades enfrentadas.

Estamos assistindo à invasão do espaço por enxames de pequenos satélites. Já se faz um único lançamento com dezenas deles. Eis alguns exemplos recentes:


Em 19/11/2013, 29 satélites, sendo 28 pequenos, foram lançados por um foguete Minotauro-1, dos EUA, a partir da base de Wallops. Um deles efetua missão de comunicação para a Força Aérea norte-americana. O lançamento custou 28,8 milhões de dólares – menos de um milhão por satélite, em média.

Dos 28 pequenos satélites, 11 eram de pesquisas incentivadas pela Nasa, entre eles o TJ3Sat, projetado por alunos do ensino médio da Escola Superior Thomas Jefferson para a Ciência e a Tecnologia, de Alexandria, Virgínia, EUA. Trata-se de um módulo sintetizador de voz que lê textos em voz alta e envia a gravação ao satélite para serem baixados pela Internet. 

A Escola Superior Thomas Jefferson, por sinal, oferece um curso especializado em nano satélites, junto com engenheiros da indústria espacial

Os 11 satélites têm forma cúbica com 10 cm de cada lado e volume de 0,95 litros. Pesam 1,36kg, no máximo, e cumprem missões científicas, tecnológicas ou educativas.

A iniciativa faz parte da 4ª missão “Decolagem Educativa de Nano Satélites”, da Nasa. Dela participaram nove universidades norte-americanas (Alabama, Drexel, Florida, Hawai, Kentucky, Louisiana at Lafayette, New MexicoSt. Louis, Thomas Jefferson High School e Vermont) e o Centro de Pesquisa Ames da Nasa.

"Os avanços da comunidade de pequenos satélites estão permitindo acelerar o desenvolvimento das tecnologias de voo, que serão transferidos à indústria espacial", frisou Jason Crusan, diretor da divisão de Sistemas Avançados de exploração da Nasa e supervisor do programa. E anunciou: “Nossas futuras missões se apoiarão no trabalho desta comunidade". Para Leland Melvin, diretor associado de Educação da Nasa, tais satélites oferecem às "melhores e mais brilhantes mentes jovens" a chance "de descobrir a emoção da exploração espacial e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios tecnológicos e de engenharia".

Um dia depois desse lançamento múltiplo, seu recorde foi batido pela Rússia. Em 21/11, um foguete Dnepr lançou 32 satélites, a maioria deles cubesats, de carona com o satélite DubaiSat-2, de observação da Terra de 300kg, produzido pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Avançadas dos Emirados Árabes Unidos.

Entre os cubesats, estavam os britânicos Funcube-1, de 1kg e 10 cm de altura, e os KHUSat 1 and 2, além de um cubesat peruano com um sensor de temperatura de 8 cm de altura e 97 gramas – o sensor de bolso (Pocket-PUCP), considerado o menor satélite funcional jamais posto em órbita da Terra.

Funcube-1, criado pela Amsat-UK (Radio Amater Satellite Corporation do Reino Unido), leva a bordo um transponder que transmite sinais capazes de ser captados por escolares usando um simples receptor USB.

Detalhe curioso: Funcube-1, ante as dificuldades de obter licença de acesso ao espaço no Reino Unido, só logrou voar graças às facilidades da lei dos Países Baixos. É como se fosse uma nave de bandeira holandesa. O uso de bandeira alheia, comum na marinha mercante, começa a chegar ao espaço. Os juristas espaciais tendem a rejeitar tal solução, pois ela pode confundir a definição do Estado Lançador que deve responder por eventuais danos causados a terceiros.

Os cubesats KHUS-1 e -2 (também chamados de Cinema-2 e -3) resultam da parceria entre três Universidades: da Califórnia, Berkeley, EUA; Kyung HeeCoreia do Sul; e Imperial College, Reino Unido. Os satélites têm a missão de estudar o ambiente próximo da Terra e sua interação com o Sol. O famoso Imperial College, de Londres, contribuiu com um mini magnetômetro, batizado com o nome de “Mágico”, que registra as condições na magnetosfera – as bolhas de linhas do campo magnético que envolvem o planeta e desviam muito da matéria lançada pelo Sol em nossa direção. O Cinema-1 foi lançado em setembro de 2012, o que significa que o projeto já tem mais de um ano.

Na Ásia, há também forte interesse pelos pequenos, micro e nano satélites. Não por acaso, a APSCO (Asia Pacific Space Cooperation Organization – Organização de Cooperação Espacial da Ásia Pacífico) promoveu em setembro passado, na capital da Mongólia, Ulan Bator, um curso sobre o estado d'arte dos pequenos, micros e nano satélites e suas tendências futuras, visando promover o desenvolvimento, a inovação e as aplicações desses satélites nos países membros – Bangladesh, China, Indonésia, Irã, Mongólia, Paquistão, Peru, Tailândia e Turquia.

Na África, cabe destacar o trabalho em curso na área dos pequenos satélites realizado na Nigéria, África do Sul, Marrocos, Egito, Gana, Sudão, entre outros.

Na América Latina, a Agência Espacial Brasileira (AEB) vem de propor na reunião de Bogotá, realizada em 29 e 30 de outubro passado entre agências espaciais da região, a criação da Aliança Latino-Americana de Agências Espaciais (ALAS), para coordenar programas e projetos de interesse comum, inclusive um de cooperação entre universidades da região para a construção de pequenos, micros e nano satélites.

A Organização das Nações Unidas (ONU), através de seu Escritório de Assuntos Espaciais, com sede em Viena, Áustria, tem sido muito ativa no apoio à formação de especialistas em tecnologias de pequenos, micros e nano satélites nos países em desenvolvimento. Desde 1971, há mais de 40 anos, portanto, o Programa de Aplicações Espaciais da ONU organiza workshops, seminários, simpósios e encontros de peritos, com caráter prático, para beneficiar o mundo mais carente.

Em 2009, o Escritório da ONU lançou a Iniciativa de Tecnologia Espacial Básica (Basic SpaceTechnology Initiative – BSTI), para atender à demanda de pessoal especializado no desenvolvimento de pequenos, micro e nano satélites, inclusive com planos de criação da necessária infraestrutura de construção e testes, bem como o incremento da cooperação internacional e do conhecimento do direito que regulamenta tais atividades.

O mais recente simpósio da BSTI teve lugar na Universidade Zayed, na Cidade Acadêmica de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de 20 a 23 de outubro deste ano, e tratou de um tema que fala por si: “Missões de Pequenos Satélites para as Nações em Desenvolvimento”. O evento conheceu 27 trabalhos, de 15 países, inclusive do Brasil – Fernando Stancato abordou o desenvolvimento de pequenos satélites no INPE.

Os recursos naturais da floresta amazônica no Brasil, sobretudo os minerais e os de propriedades medicinais (ervas, cascas de árvores, seivas e raízes diversas), podem ser explorados com o emprego de micro e nano satélites” – afirmou Muhammad Shadab Khan, engenheiro indiano, no Simpósio sobre “Aplicações Inteligentes e Economicamente Eficazes de Micro e Nano Satélites nos Países em Desenvolvimento”, organizado pela ONU e pelo Japão, em Tóquio, em 2012. Já pensamos nisso?

Nano lançadores à vista? O norte-americano Garrett Skrobot, considerado um pioneiro dos cubesats, confidenciou ao jornal “Space News” que, estimulado pelo “boom” dos micro e nanosatélites, ele vem trabalhando com o Programa de Inovação em Pequenos Negócios da Nasa na busca de tecnologias para viabilizar nano lançadores. “Se tivermos nosso próprio sistema de lançamento, podemos programar lançamentos em pontos específicos no tempo requerido” – prevê Skrobot.

Vale notar que os países em desenvolvimento já começam a sentir a necessidade de contar com lançador próprio para seus pequenos, micro e nano satélites.

Mas esse é assunto para um próximo artigo desta série. Até lá.
Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB),
Vice-Presidente da Associação Nacional de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA),
Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial e Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica.



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Livro apresenta visão abrangente e aprofundada da nanotoxicologia


Por José Tadeu Arantes

O pesquisador Oswaldo Alves, do Instituto
de Química da Unicamp,
um dos autores (
foto: Antoninho Perri/Unicamp)
Agência FAPESP – Com mais de 400 páginas, distribuídas por 17 capítulos, cada qual abordando em profundidade um aspecto da nanotoxicologia, o livro Nanotoxicology – Materials, Methodologies, and Assessments disponibiliza o que há de mais avançado na área e suas contribuições originais.
Fruto de discussões que se estenderam por mais de uma década, a obra é um trabalho coletivo de 54 pesquisadores, sob a coordenação de Nelson Durán e Oswaldo Alves, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e de Silvia Guterres, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O prefácio, o sumário e abstracts dos capítulos podem ser acessados em http://link.springer.com/book/10.1007/978-1-4614-8993-1.
Oswaldo Alves falou sobre o livro à Agência FAPESP. Confira a seguir a entrevista:
Agência FAPESP – Quando surgiu a ideia que resultou no livro?
Oswaldo Alves – A ideia desse livro surgiu há muito tempo. Em 2002, iniciamos discussões que tratavam dos eventuais riscos das nanotecnologias para o meio ambiente e o homem. Essas discussões eram, na verdade, muito difíceis, pois tanto na academia quanto em vários setores do governo havia uma espécie de apreensão de que as pessoas tivessem receio das nanotecnologias. Apesar disso, ratificávamos, em várias instâncias, a necessidade de que fosse abordado esse aspecto crucial para o desenvolvimento das nanotecnologias. Nosso pensamento foi mais e mais reforçado após participarmos das conferências Nanosafe, em Grenoble, na França, e, principalmente, como delegado brasileiro, na OECD Conference on Potential Environmental Benefits of Nanotechnology: Fostering Safe Innovation-Led Growth, promovida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, em julho de 2009. Além disso, os laboratórios de Química do Estado Sólido (LQES) e de Química Biológica (LQB), ambos do Instituto de Química da Unicamp, vinham, há mais de 10 anos, trabalhando com os diferentes aspectos ligados à interação de nanoestruturas com biossistemas, dentro da perspectiva da nanotoxicologia, em cooperação com mais de 20 laboratórios, em sua maioria ligados às Ciências Biológicas.
Agência FAPESP – Como foram articuladas as colaborações de tantos pesquisadores?
Alves – Em 2011, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou um edital que possibilitou a criação da Rede de Nanotoxicologia de Compostos Nanoestruturados – Citotoxicidade e Genotoxicidade de Produtos com Potencial Industrial (CigeNanotox), baseada no Instituto de Química da Unicamp e coordenada pelo professor Nelson Durán e por mim, com participação da Faculdade Metrocamp, da Universidade de Sorocaba, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Unicamp, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da UFRGS. Um dos “produtos” propostos pela Rede, além do desenvolvimento de protocolos e métodos, publicações em revistas especializadas, participação em congressos internacionais e depósito de patentes, entre outros, foi a publicação de um livro que tratasse da área emergente da nanotoxicologia. Fizemos uma proposta para a editora Springer, que prontamente a aceitou. A partir desse momento, foi desenvolvida pelos editores toda a atividade editorial, com a revisão dos textos pelos pares, autorização para uso de imagens e figuras e revisão final dos originais. Destaque-se neste processo a participação ativa de pós-doutores e estudantes de pós-graduação, muitos dos quais participaram como coautores em vários capítulos, com pesquisadores/professores sêniores.
Agência FAPESP – Este livro é uma iniciativa pioneira em nanotoxicologia?
Alves – Certamente existem outras obras que tratam do assunto. Porém, o número é pequeno. Dada a abrangência, o estágio das discussões sobre o tema e a forma como os assuntos foram tratados, não temos dúvida em considerar nosso livro uma contribuição pioneira e muito oportuna. Além da apresentação atualizada da literatura internacional de alta qualidade, acrescentamos desenvolvimentos metodológicos, resultados obtidos e reflexões oriundas dos diferentes laboratórios que compõem a Rede CigeNanotox e colaboradores.
Agência FAPESP – Existe hoje um grande interesse no uso de nanopartículas como vetores de drogas farmacêuticas com atuação bastante específica. Em que estágio estão as pesquisas na área?
Alves – Sem dúvida, é um campo que desperta grandes expectativas. Para serem utilizadas como vetores de fármacos, as nanopartículas são funcionalizadas com diferentes grupos, que as dotam de novas propriedades, como solubilidade, reatividade, capacidade de transferir energia e, até mesmo, reconhecimento de eventuais células que apresentem “mau funcionamento”, como as células cancerígenas. Apesar de muitos avanços terem sido feitos, tanto em experimentos in vitroquanto in vivo, ainda são muito poucos os sistemas que já venceram todas as fases de testes para atingir o mercado. Existem muitas dúvidas sobre como esses sistemas de fato funcionam, principalmente quanto ao reconhecimento e à interação das nanopartículas com as diferentes proteínas, mas já há vários sistemas candidatos em avaliação nas agências europeias e na FDA [Food and Drug Administration] norte-americana, especialmente focando o tratamento dos tipos mais agressivos de câncer.
Agência FAPESP – Quais são os nanomateriais mais promissores nesse caso?
Alves – Em termos de materiais, têm sido muito estudadas as partículas de ouro, as sílicas mesoporosas, as nanopartículas magnéticas e, com resultados mais concretos, as técnicas de encapsulamento de fármacos por nanopartículas lipídicas. Como disse, existe muita discussão sobre como essas partículas atuam; no entanto, as pesquisas trabalham com a perspectiva de obter sistemas que sejam capazes de ir exatamente “ao ponto”. Ou seja: atingir somente os alvos biológicos de interesse, mediante o reconhecimento e a alta seletividade.
Agência FAPESP – Esses vetores podem apresentar efeitos colaterais importantes?
Alves – Uma das características dos nanomateriais é o fato de suas propriedades serem geralmente aviltadas, quando comparados com seus similares na escala macro. Assim, muitas vezes, conseguimos o mesmo resultado em termos de propriedades com quantidades muitíssimo menores. Espera-se que, no caso dos fármacos, por exemplo, sua transformação em nanopartículas possa vir a evitar efeitos colaterais importantes, uma vez que seriam usadas quantidades bem menores do princípio ativo e se atingiria somente o “alvo” responsável pela doença. Porém, esses aspectos têm de ser comprovados por meio de muitos e longos estudos multidisciplinares, uma vez que várias enfermidades são, na verdade, resultados de diversos fatores atuando de forma sinergística ou cooperativa. Outro aspecto que deve ser considerado, e sobre ele já existem resultados muito bem descritos na literatura, são os fenômenos de biodistribuição. As nanopartículas penetram no organismo, por exemplo, pelas vias respiratórias e, em função de seu tamanho, morfologia e mesmo funcionalização, acabam por se concentrar nos rins ou pâncreas. Vê-se claramente que muita ciência nova ainda terá que ser feita.
Agência FAPESP – Quais são os principais riscos envolvidos no trabalho com nanomateriais?
Alves – Eles são, em essência, os mesmos que os organismos internacionais e nacionais, responsáveis pela saúde dos trabalhadores, apontam no trabalho com produtos químicos. Acrescentaríamos, aqui, especificidades relacionadas com o tamanho das partículas, que, quando no estado sólido, na forma de pós, requerem instalações com controle rigoroso do ambiente, manipulações em bancadas especiais, equipadas com sistemas de exaustão altamente eficientes, além de equipamentos de proteção pessoal, como luvas, óculos etc. Alguns organismos internacionais, como o Ineris, na França, vêm testando os diversos materiais utilizados para a fabricação de luvas e filtros individuais, para diferentes tipos de atividades em nanotecnologia. Vale destacar que, concomitantemente ao crescimento do número de produtos que utilizam as nanotecnologias, cresce também uma indústria de segurança visando a sua manipulação no ambiente industrial.
Nanotoxicology: materials, methodologies, and assessments
Autores: Nelson Durán, Silvia S. Guterres e Oswaldo L. Alves
Editora: Springer
Preço: US$ 159
Páginas: 411

Deputado e gerente da ABDI discordam sobre alerta de uso de nanotecnologia


A polêmica foi observada durante debate na Câmara dos Deputados em que se discutiu a regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia


A regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia causou polêmica nesta quarta-feira (20) em debate na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu a rotulagem obrigatória desses materiais. Já a gerente de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cleila Guimarães Pimenta, disse que a medida pode confundir os consumidores.

Nano é uma unidade de medida que corresponde à divisão de um metro por um bilhão, ou 100 mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Uma série de produtos vêm sendo elaborados a partir da manipulação de elementos nessas dimensões, o que permite avanços em remédios, produtos domésticos, baterias, tecidos, cosméticos, entre outros.

Cleila esclareceu que essa tecnologia já vem sendo usada no dia a dia, como lâmpadas do tipo LED, pintura de carros, fármacos, lápis e diversos outros materiais.

Projeto
Um projeto apresentado por Sarney Filho determina que todos os produtos que forem desenvolvidos com essa tecnologia contenham rótulos com a informação (PL 5133/13). De acordo com o texto, até mesmo os produtos oriundos de animais alimentados com ração com nanomateriais deverão ser rotulados.

"A nanotecnologia promete uma série de avanços e não somos contra esses avanços, assim como não somos contra os transgênicos. O que devemos ter em vista é a precaução. Todo produto tecnológico é potencialmente nocivo e cabe ao produtor provar a segurança do novo produto", argumentou o deputado.

A gerente da ABDI, que é uma entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ponderou: "Um símbolo de nanopartículas quer dizer o que para o consumidor? Um risco, um benefício? A tendência é confundi-lo ainda mais". Cleila defende a realização de novos estudos sobre a tecnologia antes de qualquer legislação sobre o tema.

Mudanças possíveis
O projeto de Sarney Filho está sendo analisado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e ainda deve ser votado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça, mas o parlamentar não descartou a possibilidade de fazer mudanças no texto.

"Discutiremos e teremos um substitutivo ao projeto. A proposta é uma base para o debate e não há nenhuma posição fechada de minha parte. O importante é que essa discussão seja trazida para o Congresso e haja avanços".

Sarney Filho, no entanto, insiste que os consumidores sejam sempre informados ao adquirirem produtos desse tipo. "A nanotecnologia é uma coisa relativamente nova no mundo e a gente não sabe até que ponto ela pode ser prejudicial à saúde e ao meio ambiente", alertou.

Cleila Guimarães Pimenta, entretanto, lembrou que os cosméticos, alimentos e fármacos já passam por testes obrigatórios para comprovação de eficácia, segurança e qualidade. Segundo ela, a rotulagem não é obrigatória nos Estados Unidos e nem em diversos países europeus. "Não há consenso internacional sobre o tema, o que reforça a necessidade de novos estudos antes da fixação de uma regra", afirmou.

Íntegra da proposta:

(Carolina Pompeu/Agência Câmara)


Audiência pública sobre rotulagem de produtos com nanotecnologia gera polêmica

A regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia causou polêmica nesta quarta-feira (20) em debate na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.
O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu a rotulagem obrigatória destes materiais. Já a gerente de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cleila Guimarães Pimenta, disse que a medida pode confundir os consumidores.
Nano é uma unidade de medida que corresponde à divisão de um metro por um bilhão, ou 100 mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Uma série de produtos vêm sendo elaborados a partir da manipulação de elementos nessas dimensões, o que permite avanços em remédios, produtos domésticos, baterias, tecidos, cosméticos, entre outros.
“A nanotecnologia promete uma série de avanços e não somos contra isso, assim como não somos contra os transgênicos. O que devemos ter em vista é a precaução. Todo produto tecnológico é potencialmente nocivo e cabe ao produtor provar a segurança do novo produto”, argumentou o deputado, que é autor de uma proposta com esse tema (PL nº 5133/13).
A gerente da ABDI, que é uma entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ponderou: “O que quer dizer um símbolo de nanopartículas para o consumidor? Um risco, um benefício? A tendência é confundi-lo ainda mais”. Cleila defende a realização de novos estudos sobre a tecnologia antes de qualquer legislação sobre o tema.
O projeto de Sarney Filho é analisado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e ainda deve ser votado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça, mas o parlamentar não descartou a possibilidade de fazer mudanças no texto.
“Discutiremos e teremos um substitutivo ao projeto. A proposta é uma base para o debate e não há nenhuma posição fechada de minha parte. O importante é que essa discussão seja trazida para o Congresso e haja avanços”, finalizou.

Rótulo em produtos com nanotecnologia divide opiniões

A nanotecnologia, que trabalha com a matéria em escala super-reduzida, é uma das áreas que mais avançam na pesquisa científica. Muitos produtos que fazem parte do nosso dia a dia, como roupas e eletrônicos, são frutos dessa pesquisa. A Câmara realizou uma audiência pública para debater a regulamentação e a rotulagem de produtos da nanotecnologia.

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Switzerland Updates Precautionary Matrix for Synthetic Nanomaterials


In November 2013, Switzerland’s Federal Office of Public Health (FOPH) updated its precautionary matrix for synthetic nanomaterials, which industry can use to assess nano-specific health and environmental risks of nanoproducts. 

FOPH states that the precautionary matrix “enables the structured assessment of the ‘nano-specific need for precautions’ when handling synthetic nanomaterials.” 

FOPH intends the matrix to assist industry with due diligence requirements, and their “duty to exercise self-control opposite employees, consumers and the environment.” 

According to FOPH, the precautionary matrix can identify “potentially risky applications,” allowing the initiation of precautionary measures to protect people’s health and the environment. 

 FOPH notes that the precautionary matrix “is upgraded in close cooperation with industry, science and trade as well as consumer and environmental organisations.”


A Era dos Pequenos, Micros e Nano satélites (1)



José Monserrat Filho *

A Era Espacial foi inaugurada por um pequeno satélite. O Sputnik-1, lançado pela ex-União Soviética em 4 de outubro de 1957, era uma esfera de 58 cm que pesava 83,6 kg. Voou durante 22 dias a uma altitude entre 228 e 947km, sem nenhuma função específica. Levava a bordo nada além de dois transmissores de rádio de 1 W, com duas longas antenas, operando entre 20,005 e 40,002 MHz e emitindo um único e obstinado – “bip,bip,bip” –, sintonizado por qualquer rádio-amador. 

Era, portanto, absolutamente inofensivo. Mas causou pânico nos EUA. Por que?

Porque a parte mais importante desse lançamento espacial pioneiro não era o satélite. O Sputnik I não passava do “escada”, como se diz em linguagem teatral, para o personagem principal, o foguete lançador (19 m de altura, dois estágios, 240 ton na decolagem) batizado com o nome de R7, o temido “Semyorka”, que emergia no palco da política mundial, em plena Guerra Fria, como poderoso míssil balístico intercontinental, capaz de lançar ogivas nucleares no outro lado do Terra, ou seja, nos EUA, rompendo, assim, a decantada invulnerabilidade do território norte-americano.

Daí que um pequeno satélite, instalado nos ombros do gigante R7, gerou uma grande mudança global. As potências rivais tinham agora que sentar-se à mesa de negociações para discutir a nova situação geopolítica do mundo e atender, até onde permitissem seus planos estratégicos, aos ardentes anseios de paz de todo um planeta à beira da catástrofe nuclear.
Antes, dizia-se abertamente, o país que dominar o espaço, dominará o mundo. Inaugurada a Era Espacial por quem menos se esperava fosse capaz de tamanho feito, passou-se a apregoar o uso pacífico do espaço.

Mas essa visão não durou muito. De certo modo, serviu para acalmar a opinião pública, alarmada com a ameaça da terceira guerra mundial, fadada a ser um choque de extermínio total. Apesar da perspectiva atordoante, a Guerra Fria não iria parar simplesmente porque os humanos tinham, enfim, chegado ao espaço.

Já em 1956, antes, portanto, do lançamento do Sputnik-1, os EUA aprovavam o projeto do primeiro satélite de reconhecimento, o Corona (resolução de 12m), que viria revolucionar os sistemas de inteligência a partir de 1960, substituindo o avião de espionagem U-2. Um desses aparelhos, pilotado por Francis Gary Powers, funcionário da CIA, foi abatido pela URSS e exibido no desfile de 1º de maio daquele ano. Em 1961, a URSS lançava seu primeiro satélite de reconhecimento, o Zenit (resolução de 10-15m).

A Guerra Fria crescia e se aperfeiçoava. Contudo, por acordo mútuo as duas grandes potências decidiram deixar de lado o espaço exterior como zona de conflito bélico – a mesma situação criada para a Antártida pelo Tratado de 1959, em vigor ainda hoje.

Não por acaso, apenas dez anos após o lançamento do Sputnik-1, o Tratado do Espaço, de 1967, foi capaz de proibir a colocação em órbita de armas de destruição em massa (nucleares, químicas e biológicas) e desmilitarizou totalmente a Lua e demais corpos celestes. Mas não logrou fechar o espaço para os voos suborbitais dos mísseis balísticos de grande alcance portadores de ogivas nucleares, nem para o emprego de outros tipos de armas, e muito menos regulamentar o chamado uso militar passivo do espaço (reconhecimento, comunicação, mapeamento, precisão de tiro etc.), de modo a impedir que ele vá além das ações de defesa e se torne uma forma de agressão.

 Hoje, o uso de pequenos, micros e nano satélites é tendência universal sem volta. Os satélites militares são todos apresentados como sendo de defesa. Mas quantos o são efetivamente? E como adotar critérios imparciais e objetivos, reconhecidamente justos e válidos para toda a comunidade internacional, separando o joio do trigo? É aí que a porca torce o rabo.

(O próximo artigo abordará a variedade dos pequenos, micros e nano satélites. Até lá.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB,
 Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e 
Espacial, e Diretor Honorário do Instituto Internacional de 
Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica.





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Novo programa da Coppe promove seu primeiro workshop

PENT

Apresentar o recém-criado Programa de Engenharia de Nanotecnologia e marcar a inserção da Coppe no Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO) são os objetivos do I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia, que será realizado no dia 27 de novembro, quarta-feira, a partir das 10 horas no Auditório G 122, Bloco G do Centro de Tecnologia da UFRJ, Cidade Universitária.

Estarão presentes ao evento o reitor da UFRJ Carlos Levi da Conceição e o secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da SETEC/MCTI Álvaro Prata, além de representantes de empresas como L’Oréal, IBM, FMC, Petrobras e Schlumberger,que debaterão, junto ao corpo docente do novo programa, as necessidades no desenvolvimento de tecnologias em nanotecnologia e a formação de recursos humanos.

Segundo o professor Sérgio Camargo, a rapidez com que a nanotecnologia evolui torna fundamental o intercâmbio entre universidade e empresa. “As empresas têm necessidade de capacitar seu pessoal para acompanhar esse avanço. Muitas delas não conseguem tomar pé dessa evolução tão rápida, e a universidade tem o papel de cooperar com elas, oferecendo informação, formação de recursos humanos e desenvolvimento de novas tecnologias. É fundamental realizar um trabalho que seja vinculado ao que a indústria do país está precisando”, disse ele.

Os cursos de mestrado e doutorado do Programa de Engenharia de Nanotecnologia da Coppe está com inscrições abertas até o dia 6 de dezembro. Mais informações podem ser obtidas em: www.pent.coppe.ufrj.br.

Um sistema para a Nanotecnologia
Instituído pelo MCTI em 2012, o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO) é formado por um conjunto de laboratórios dedicados às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I), em um amplo espectro de nanotecnologias. Pela Coppe, participa do SisNANO o Laboratório de Engenharia de Superfícies e Materiais Nanoestruturados, que envolve o programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, o Programa de Engenharia Química e o Núcleo de Microscopia Eletrônica da Coppe.

Os 26 laboratórios do SisNANO foram selecionados a partir de uma chamada pública e receberão financiamento prioritário do MCTI para melhorar a infraestrutura e mantê-los internacionalmente competitivos. A verba também deverá permitir a incorporação, fixação e manutenção de corpo técnico-científico de alta qualificação e permitir que os laboratórios funcionem de forma aberta, atendendo usuários e instituições dos setores público e privado.

O sistema SisNANO é constituído por Laboratórios Estratégicos, que são aqueles vinculados diretamente ao Governo Federal, e os Laboratórios Associados, vinculados a instituições científicas e tecnológicas, em sua maioria universidades públicas. Os Laboratórios Estratégicos têm como compromisso disponibilizar, no mínimo, 50% do tempo de uso dos equipamentos para usuários externos. Já os Associados devem abrir, pelo menos, 15% do tempo de uso dos equipamentos para usuários externos, ambos seguindo regras próprias de submissão de propostas de uso.

“Segundo nosso levantamento, o Laboratório de Engenharia de Superfícies e Materiais Nanoestruturados da Coppe dispõe de um total de 36 milhões de reais em equipamentos, o que é muito, em qualquer país do mundo. Tudo isso é fruto de muito investimento realizado ao longo dos anos, que pode ser utilizado em parceria com as empresas para resolver problemas concretos, criar tecnologia e formar pessoal altamente qualificado”, diz o professor Sérgio Camargo.

Programação do I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia
10h00 – Abertura
Apresentação do PENT: Professor Sérgio Camargo Jr.
Apresentação do Lab. Eng. Nanotecnologia: Professor Martin Schmal
Palestra do secretário Álvaro Prata (MCTI)
12h00 – Almoço
14h00 às 17h30 – I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia
14h00 às 15h30 – Mesa Redonda com BlaiseDidillon (L’Oreal), Álvaro Prata (MCTI), ClaudiusFeger (IBM) e Dante Alario (Biolab)
15h30 às 16h00 – Coffee Break
16h00 às 17h30 – Mesa Redonda com Alan Labes (FMC Technologies); Gabriel Sotomayor (Petrobras); Kamel Bennacoeur(Schlumberger) e Carlos Mattar (Cebrace)

Fonte: COPPE/UFRJ

sábado, 2 de novembro de 2013

Nanotecnologia: uma história um pouco diferente

Os manuais de introdução à nanotecnologia pouco falam de suas origens. Artigo da CH de outubro relembra muitos feitos e personagens que marcaram a trajetória desse novo campo científico e merecem ser valorizados.
Por: Peter Schulz
Nanotecnologia: uma história um pouco diferente
A nanotecnologia é a área que trata da manipulação da matéria nas dimensões do bilionésimo de metro. (imagem: Geoff Hutchison/ Flickr – CC BY-ND 2.0)
A nanotecnologia baseia-se na investigação e manipulação da matéria na escala dos bilionésimos de metro – ou seja, dos nanômetros –, emprestando esforços de disciplinas vistas, até há pouco tempo, como separadas: biologia, física, química e ciências dos materiais.
Da comunidade científica ao grande público, diversos grupos, quando questionados sobre a história da nanotecnologia, parecem se contentar com poucas informações, que não variam muito de sítio para sítio da internet – caso emblemático é o do chamadoInstituto Foresight.
O marco fundador da área teria sido a palestra proferida, ainda em 1959, pelo famoso físico norte-americano Richard Feynman
Vejamos, então, alguns dos fatos mais disseminados sobre as supostas origens da nanotecnologia.
O marco fundador da área teria sido a palestra proferida, ainda em 1959, pelo famoso físico norte-americano Richard Feynman (1918-1988), ‘Há muito espaço lá embaixo’ – voltaremos ao assunto.
Já a palavra nanotecnologia foi cunhada, em 1974, pelo pesquisador japonês Norio Taniguchi (1912-1999). A ‘paternidade’ da tecnologia em si seria do primeiro doutor na área, o engenheiro norte-americano Eric Drexler, autor do livro Engines of creation: the coming era of nanotechnology (Engenhos da criação: o advento da era da nanotecnologia), de 1986, importante na disseminação dessa nova tecnologia para o grande público.
Naquela década, a descoberta fundamental das moléculas com 60 átomos de carbono, os fulerenos, e a invenção dos microscópios de varredura de prova – entre eles, o microscópio de força atômica, com o qual a ‘manipulação átomo a átomo’ passou a ser, de fato, possível – abririam as portas para essa nova era.
Fulereno
Na década de 1980, a descoberta das moléculas com 60 átomos de carbono, os fulerenos, foi um dos acontecimentos que abriram as portas para a era da nanotecnologia. (imagem: Wikimedia Commons/ Saperaud – CC BY-SA 3.0)
Além dessa nanotecnologia ‘moderna’, haveria também uma nanotecnologia ‘antiga’, remontando às nanopartículas de ouro e prata, dando características especiais a vidros produzidos na Roma antiga. Evidentemente, aqueles romanos não tinham ideia de que se tratava de partículas coloidais, que, hoje, são chamadas nanopartículas e – fato raramente lembrado nas várias histórias da nanotecnologia – estudadas sistematicamente pelo físico inglês Michael Faraday (1791-1867), em meados do século 19.

Espaço lá embaixo

Contar a história desse modo nada acrescenta à compreensão da nanotecnologia como uma atividade humana de pesquisa e inovação, com importantes repercussões sociais. No entanto, esse pequeno conjunto de, digamos, notas de rodapé fornece excelentes pontos de partida para ir um pouco mais a fundo e construir um olhar diferente sobre o tema.
Comecemos pela palestra de Feynman – Nobel de Física de 1965 –, adormecida por mais de 20 anos e transformada em uma profecia por, entre outros, Drexler – afinal, nada melhor do que um oráculo renomado para fomentar uma proposta supostamente nova.
O propósito da palestra aparecia logo no começo: “Quero falar sobre o problema de manipular e controlar as coisas na escala atômica”. E uma meta era anunciada em seguida: “Por que não podemos escrever os 24 volumes inteiros da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete”? Para responder a essa pergunta, Feynman encadeou uma série de elaborações conceituais que hoje soam, de fato, proféticas – e, à época, eram, sem dúvida, interessantes.
Mas seriam assim tão visionárias?
Perscrutando o contexto da época, o leitor pode chegar às próprias conclusões, lembrando que Feynman não cita resultados científicos em sua palestra, mas certamente era uma pessoa muito bem informada.
A profecia de Feynman não era desprovida de pistas claras de que poderia ser realizada. Tampouco sua palestra influenciou diretamente o desenvolvimento da nanotecnologia
O que se passava, então? Em 1958, foi desenvolvida a prova de conceito do circuito integrado (CI), rapidamente reconhecido como a primeira rota eficiente para miniaturização da eletrônica em escala sem precedentes. O físico e engenheiro norte-americano Jack Kilby (1923- 2005) – Nobel de Física de 2000 pela invenção do CI – teria anotado, em seu caderno de laboratório, em 1958: “Miniaturização extrema de muitos circuitos elétricos pode ser alcançada, fazendo resistores, capacitores, transistores e diodos em uma única fatia de silício”.
A palavra ‘extrema’ abria as portas para a imaginação em uma época em que competições de miniaturização já eram moda – e isso antes mesmo do prêmio oferecido por Feynman em sua palestra para quem construísse o menor motor do mundo. Assim, a profecia de Feynman não era desprovida de pistas claras de que poderia ser realizada.
A palestra de Feynman tampouco influenciou diretamente o desenvolvimento da nanotecnologia, como aponta o antropólogo cultural norte-americano Chris Toumey, em seu artigo ‘Lendo Feynman no contexto da nanotecnologia’. Nele, Toumey escreve que as reais motivações de Feynman – frequentemente associadas à antecipação da nanotecnologia – vêm sendo discutidas também por historiadores da física. Mesmo assim, a palestra abriu-se para a fama, chancelada por milhares de citações.
Mas seria possível um artigo praticamente desconhecido hoje ter tido, de fato, forte influência direta no desenvolvimento da nanotecnologia?
Você leu apenas a introdução do artigo publicado na CH 308. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral.PDF aberto (gif)

Peter Schulz

Faculdade de Ciências Aplicadas
Universidade Estadual de Campinas (SP)